Expointer em família Imprimir
Escrito por Renata de Medeiros (2º semestre)   
Seg, 05 de Setembro de 2011 17:15

O ano de 1994 foi decisivo na vida de Marcelo e Isabel Cristina. Além de se casarem, os uruguaios de Rivera se mudaram para o Rio Grande do Sul para buscarem emprego em Jaquirana. A partir daí, o casal não perdeu nenhuma edição da Expointer.


A proposta de emprego que Marcelo recebeu era na área de inseminação e transferência de embriões em gado bovino. O casal foi para Jaquirana para que trabalhassem durante um mês e, depois, participassem da Expointer. Porém, o que era para durar 30 dias, continua até hoje e eles não perdem nenhuma edição há 17 anos.

Cris recorda que não foi fácil se acostumar com a vida campeira. Quando era solteira, só tinha tido contato como meio urbano. Para ela, o primeiro ano de seu casamento foi difícil porque nunca tinha morado no campo e teve que aprender a fazer coisas que nunca tinham passado pela sua cabeça."Os primeiros quinze dias foram legais. Tudo era novidade, o lugar era diferente e a casa era nova, então eu arrumava nossas coisas nos lugares. Daí, depois que eu ajeitei a casa e ficou tudo pronto, não tinha mais nada pra fazer. O Marcelo saía pro campo de manhã e voltava ao meio dia pra almoçar. Eu nem sabia fritar um ovo. Tive que aprender na marra. Também não sabia fazer pão, porque na cidade não se faz, se compra. Tudo teve sua dificuldade. Lá não tem padaria, não tem nada.  A que fica mais perto, era há 20km e a gente não tinha carro, moto ou bicicleta", explicou.

Cris, Marcelo e suas filhas na Expointer 2011. Foto: Renata de Medeiros

Além de ter que aprender uma série de coisas, Cris também sentia falta do que deixou em Rivera. "Eu tinha oito irmãos e era a caçula, então fui a que ficou mais tempo em casa. Sentia muita saudade da minha família. Tinha uma turma de amigos que saía todos os finais de semana e, de repente, tudo aquilo parou. Olhava na janela e só via campo, campo e campo, aí me perguntava 'meu deus, que que eu tô fazendo aqui?'", falou achando graça do tempo em que ainda não havia se adaptado com a vida que leva até hoje.

Marcelo, porém, não teve problemas com essa transição. "Eu fui criado no campo. Desde pequeno, meu sonho era andar em cima de um cavalo e correr atrás de vaca. E esse sonho se tornou realidade", disse com ar nostálgico. Agora, mais que um sonho, a pecuária é seu trabalho e é na Expointer que o esforço de um ano inteiro é reconhecido. "Aqui na Expointer tu mostra teu trabalho que não é visto lá dentro da fazenda", afirmou.

Desde 1994, eles chegam na Expointer uma semana antes da abertura da feira para montar os estandes e receberem os animais. O casal fica até o último dia. Nesse meio tempo, laços de amizade foram criados e são cultivados até hoje. "Tenho famílias que duram 10, 15 dias. Gente que começou comigo e que me ensinou alguma coisa, porque tudo aqui é um aprendizado. Se eu não vejo o pessoal durante a Expointer, parece que falta alguma coisa", explicou Marcelo.

Hoje, o casal tem duas filhas: Bruna e Bianca. "Já vim na Expointer sem barriga, com barriga e com elas bem pequeninhas. A Bianca tinha 12 dias na primeira vez que veio. E as duas passaram por todas as fases da infância aqui. Quando neném, quando mamavam, quando aprenderam a caminhar e depois quando já corriam pelos corredores nos meio dos animais. Desde os 11 anos a Bruna já apresentava os animais na pista. E assim elas se criaram", contou a mãe.

O casal, que começou a namorar quando ambos tinham 14 anos, se sente orgulhoso em ver a família reunida na Expointer. "É muito bom quando teus filhos seguem aquilo que tu faz. Hoje minhas filhas apresentam os animais em pista, me ajudam a preparar em casa e mostrar aqui. A mais velha, inclusive, quer continuar trabalhando no campo. Pretende ser veterinária", contou Marcelo.

Última atualização em Seg, 27 de Fevereiro de 2012 11:24