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Lugar Mágico PDF Imprimir E-mail
Escrito por Gabriela Kliemann Dias   
Sex, 24 de Maio de 2013 16:41

Existem lugares que nos fazem bem. Pessoas que nos transmitem amor. Sons que nos deixam em paz. Poder ter essa mistura de sentimentos ao mesmo tempo pode parecer utópico. O dia a dia corrido atribuído à rotina programada e aos compromissos inadiáveis nos amargura em uma cidade que não respira. Desleixados, esquecemos de pensar, refletir e perceber que lidamos todos os dias com pessoas iguais a nós. Humanos. Mas tem gente que repara e então essa fusão de emoções acontece.


Surge um local. Nele, você não conhece a maioria, mas é tratado como se todos sempre estivessem no seu círculo de amizades. Olha ao redor e a única coisa que vê é verde. Mato por todos os lados. Morro. Os raios do sol atravessam as árvores quase cegando a visão, mas é possível conseguir enxergar posicionando o rosto em frente a algum galho. Um suspiro e a estranheza de respirar ar extremamente puro. Uma portinhola se abre e alguns bois se colocam a pastar junto a uma galinha e seus pintinhos.

Circulando pelo lugar escuto um barulho de água. Uma ponte surge em meu caminho e tenho quase certeza de que algo bom me espera. Sigo o maravilhoso som e me deparo com uma cascatinha. Água gelada, transparente e límpida, quase como um espelho, que refletia os raios solares tornando o lugar aconchegante. Pedras pontiagudas e lisas ao fundo. Molhar todo o corpo exigia coragem e tempo. Porém, no estante seguinte ao mergulho a sensação era de lavar a alma. Literalmente. Como se embaixo d’água fosse uma pessoa. Ao voltar para a superfície, outra.

Audrey Wallace estava lá. Conta que no momento que chegou logo sentiu um clima de respeito, amizade, coletividade e amor. Sentimentos relatados por muitos que estiveram no lugar. E não era por menos. Não havia intolerância e muito menos falta de educação. O respeito, que no cotidiano não passa de uma palavra do dicionário, neste lugar ganhou forma e sentido. Amizades criadas em segundos que continuarão por anos. A possibilidade de poder emprestar qualquer coisa para alguém com a certeza de que de que este alguém irá devolver. Tudo isso agregado no amor. A falta de preocupação com as coisas, objetos e barracas, era possível. Audrey diz que não precisava se preocupar se alguém iria roubar suas coisas e percebia que também não existia uma preocupação se as crianças corriam perigo. “Porque isso não existe”.

O lugar tinha infraestrutura montada e do próprio local. Três bares. Em um deles a alimentação. Comidas caseiras como cuca e chimia eram oferecidos no lugar. No almoço tinha o prato colonial ou vegetariano. Audrey achava maravilhoso acordar pela manhã, tomar um bom café da manhã sob o sol ao lado de uma cascata linda, mais tarde almoçar e curtir os shows com pessoas incríveis ao seu lado. Shows? Logo mais falo disso. Antes vou falar dos outros bares. Nestes a sede podia ser saciada. Em um deles encontrava-se bebidas não alcoólicas e alcoólicas. De água a cerveja. De refrigerante a cachaça artesanal. E no terceiro e não menos importante bar, era vendido chopp artesanal.

Próximo aos bares estava montado um pequeno palco, no qual era decorado com retalhos de tecidos e morangas. Tudo dava o ar de realmente estarmos no meio rural. Na relação das bandas encontrávamos nomes não muito comuns, mas conhecidos pelo público do lugar. Davi Henn, Cabeçote e Centro da Terra são alguns exemplos. Isso não significa que eram ruins. Muito pelo contrário. Cada uma trazia sua música autoral e transmitia sensações das mais variadas. Com Quarto Sensorial, por exemplo, na música Voo Livre, era perceptível muita gente “voando” com os olhos fechados curtindo o som. Audrey destaca a psicodelia das bandas que tornava o clima ainda mais mágico.

Era a segunda vez de Audrey neste lugar, porém, a primeira vez nessas condições. Condições estas que a fizeram chorar e se emocionar simplesmente por encontrar amigos neste belíssimo lugar. “Não sei bem como descrever o que senti lá, é como se estivesse plena”. O sorriso no rosto permanecia a cada dia, minuto, segundo, em que se encontrava neste ambiente. Para ela foram três dias de felicidade pura. Amor. Um local feito para pessoas que não se encaixam na correria e brutalidade do dia a dia poderem respirar leves. Sem preocupações.

Quando estava lá, era notável a gana de todos de querer viver cada segundo. De ser feliz a todo o momento. Audrey ainda levou sua cachorrinha com medo que não fosse dar certo. Felizmente se enganou e diz que nunca a viu tão feliz. Correu, pulou, brincou e ao entardecer, ganhava os mais variados colos para se encostar e tirar um bom sono. Principalmente daqueles que se encontravam perto da fogueira.

Este lugar não é sonho, embora pareça. É a mais pura realidade. A poucos quilômetros da capital. No interior do Rio Grande do Sul encontra-se a cidade de Cascatinha. O evento? Festival Pira Rural que acontece todo ano no feriado de Páscoa. Agora, resta a saudade de Audrey e todos que participaram este ano, mas a felicidade de poder ter compartilhado com tanta gente momentos com os mais variados sentimentos.

Última atualização em Qui, 28 de Agosto de 2014 17:46