Inicial Tarde em Pauta Exposição sobre a Ditadura Militar na América Latina relembra casos da repressão

17 -July -2018 - 12:05
Exposição sobre a Ditadura Militar na América Latina relembra casos da repressão PDF Imprimir E-mail
Escrito por Ana Lívia Monção (1º Semestre) e Matheus Pandolfo (3º semestre)   
Ter, 07 de Maio de 2013 17:52

A usina do gasômetro de Porto Alegre serviu como espaço para uma exposição do Movimento de Justiça e Direitos Humanos com o tema “Onde a Esperança se Refugiou”. A mostra ocorreu entre os dias 26 de abril a 05 de maio, e relatava histórias de vítimas da Ditadura na América Latina. 


Assistindo aos relatos em vídeo de quem viveu em mundo divido entre Estados Unidos e União Soviética, os visitantes eram contextualizados sobre a luta da esquerda durante os Governos Militares. O fim da 2ª Guerra Mundial, a polarização do mundo entre capitalistas e socialistas, e a revolução Cubana fizeram com que os norte-americanos passassem a temer uma onda revolucionária no Cone Sul. Apoiando assim os golpes militares nesses países. Inclusive no Brasil, onde os gritos de revolução foram abafados durante 21 anos.

“Nosso acervo é tão grande que quando se terminou de organizar o que estava disponível a maior dúvida era saber o que mostrar. Tudo que se foi visto aqui faz parte dos arquivos do Movimento de Justiça e dos Direitos Humanos. Atualmente o nosso maior objetivo é ajudar pessoas que até hoje não tiveram os seus direitos reparados”, explicou o fundador do Movimento de Justiça e dos Direitos Humanos, Jair Krischke.

Casos emblemáticos da ditadura foram lembrados, como o “Mãos Amarradas” no qual o Sargento Manoel Raimundo Soares foi encontrado boiando no rio Jacuí, após ter sido supostamente solto pelos militares; a operação Condor, uma aliança político militar entre os vários regimes militares, criada com o objetivo de coordenar a repressão a opositores e a cooperação norte-americana para ensinar aos repressores técnicas de tortura. 

Lembrava de todos os desaparecidos e assassinados pela operação Condor. As fotos dos 366 militantes foram expostas e seus nomes, idades, locais de desaparecimento eram repetidos incessantemente. Espelhos entre eles mostravam que qualquer pessoa poderia ser uma vítima do terrorismo de estado.  

Confira a galeria de fotos
Exposição lembrou a luta da esquerda latino-americana durante os Governos Militares.

Silhuetas em tamanho real contavam histórias individuais de pessoas que sofreram com as torturas e prisões da época, como o ítalo-argentino Lorenzo Ismael Viñas que desapareceu em Uruguaiana, em mais um dos casos da Operação Condor. Alguns relatos de afortunados como a gaúcha Flávia Schilling também estavam descritas nos painéis.  A militante que ficou mais de sete anos em uma cadeia uruguaia, foi solta depois que a criação de uma lei que antecipava a liberdade de presos políticos estrangeiros teve uma ampla repercussão pública no país vizinho. 

Na sequência a exposição mostrou os processos de redemocratização na América Latina, dando ênfase as Comissões da Verdade de cada país. Esses grupos têm como objetivo a investigação dos crimes cometidos contra os militantes durante os regimes ditatoriais.

“Todo esse processo de resgate da história da ditadura é muito recente no Brasil. A Comissão da Verdade existe desde 2012 no nosso país, enquanto que em outros locais que sofreram golpes militares o processo de busca por informações e justiça já existe há algum tempo. Apesar de todas as apurações realizadas ainda tem muita coisa pra ser mostrada e reconhecida”, falou um dos visitantes, o professor  Marcos Maciel Ribas.

O Prefeito de Porto Alegre, José Fortunati compareceu na sexta feira, 3 de maio, à Usina do Gasômetro para visitar a exposição.  “A mostra permite uma profunda reflexão sobre a importância do estado democrático de direito, e o que pode uma ditadura ocasionar não só para o país, mas para o continente”, disse.

“Nosso acervo é tão grande que quando se terminou de organizar o que estava disponível a maior dúvida era saber o que mostrar. Tudo que se foi visto aqui faz parte dos arquivos do Movimento de Justiça e dos Direitos Humanos. Atualmente o nosso maior objetivo é ajudar pessoas que até hoje não tiveram os seus direitos reparados”, explicou o fundador do Movimento de Justiça e dos Direitos Humanos, Jair Krischke.

Confira a reportagem do Portal de Jornalismo


Última atualização em Ter, 19 de Agosto de 2014 16:52