Inicial Fórum da Liberdade Comportamento das novas gerações e os direitos autorais na internet

23 -April -2018 - 12:29
Comportamento das novas gerações e os direitos autorais na internet PDF Imprimir E-mail
Escrito por Tatiana Reckziegel (1º semestre)   
Ter, 19 de Abril de 2011 00:00

O segundo e último dia do Fórum da Liberdade iniciou com o publicitário Rony Rodrigues e o advogado Carlos Affonso Pereira de Souza, mediados pelo jornalista Carlos Alberto Sardenberg, participaram do painel “Inovação e Tendências: Olhando o futuro”, em que foram discutidos temas como o comportamento das novas gerações e os direitos autorais na internet.

Carlos Affonso Pereira de Souza, doutor em Direito Civil, falou sobre o descompasso entre as leis de direito autoral e a maneira como os internautas consomem efetivamente os conteúdos culturais na rede. Para ele, a legislação brasileira é uma das mais restritivas do mundo. “O Brasil faz parte do eixo do mal da propriedade intelectual para os americanos", diz Carlos Affonso. Existe a necessidade evidente de uma reforma na regulamentação do direito autoral digital no nosso país, levando em conta a importante tríade formada por acesso, interatividade e colaboração; uma iniciativa que pode servir de exemplo é o uso de licenças flexíveis para obras intelectuais como a Creative Commons, explicou o palestrante.


Debate do 3º Painel do Fórum da Liberdade

O advogado citou, também, o caso do site norte-americano Napster, que revolucionou a maneira de consumir música e sofreu um processo jurídico seguido de seu fechamento. Isto, porém, não foi suficiente para cessar com a transformação iniciada, ocasionando migrações consecutivas dos usuários desse serviço de uma rede de compartilhamento para outra. Para encerrar, Carlos Affonso usou o exemplo do movimento do norte do país, o Tecnobrega, que se sustenta basicamente com a renda gerada pelos shows, como uma alternativa de sobrevivência para a indústria musical.

Na sequência, Rony Rodrigues, publicitário e fundador da empresa Box 1824, especializada em pesquisa de tendências de comportamento de consumo, utilizou a simbologia da chave para explicar o significado de liberdade para cada geração de jovens. Começando pelos baby boomers que, segundo ele, conquistaram a chave de casa, e, em consequência, o direito de ir e vir. Em seguida, a Geração X ganhou a chave do quarto, afirmando sua individualidade. Já a Geração Y acaba conquistando a chave do mundo, pela internet o jovem tem acesso a pessoas e lugares do planeta inteiro, unifica seus códigos e universaliza sua cultura.

O publicitário citou uma nova geração que ainda está sendo estudada, a dos digital natives e usa a frase de Clarice Lispector para ilustrar o significado da liberdade para esses jovens: “Liberdade é pouco, o que eu quero não tem nome”. Ainda falando sobre os digital natives, que também estão sendo chamados de “terráqueos”, Rony explica que a divisão entre o online e o off-line para eles torna-se quase inexistente e por vezes esse jovem se sente mais próximo de alguém no Japão do que de seu vizinho.

Os participantes do painel ainda debateram sobre a qualidade dos conteúdos disponíveis na rede. O mediador Sardenberg comentou que há muito “lixo” na internet. Rony Rodrigues fez uma defesa da Web. “Uma livraria, uma banca de revistas, também está cheia de lixo, de livros de autoajuda e biografias do Justin Bieber. Na internet não é diferente, mas se soubermos navegar com sabedoria, podemos abrir as portas para um mundo extraordinário". Carlos Affonso de Souza finalizou defendendo o uso das redes sociais para aproximar os políticos dos eleitores, possibilitando o acompanhamento do dia a dia de nossos representantes.

Última atualização em Qua, 03 de Setembro de 2014 11:56