Inicial Fórum da Liberdade Sem liberdade de imprensa, as outras liberdades desmoronam

22 -April -2018 - 09:20
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Escrito por Caroline Pinheiro (1º semestre)   
Ter, 19 de Abril de 2011 00:00

“Hugo Chávez merece o prêmio da liberdade de imprensa assim como Muammar Khadafi merece o nobel da paz”, ironizou Guillermo Zuloaga ao palestrar no XXIV Fórum da Liberdade ao lado do jornalista Merval Pereira e do mediador Paulo Uebel na tarde de 12 de abril de 2011.

Os palestrantes abriram o 5º painel do Fórum que tinha como tema: “Os desafios da imprensa na era digital”. Merval Pereira falou sobre a imprensa e sua relação com a internet. “O papel da imprensa é importante para garantir a democracia”, salientou Pereira.

Merval defendeu os jornais como “fortalezas do jornalismo de qualidade”. Lembrou também que “mesmo que desapareça o jornal impresso, leremos o mesmo tipo de conteúdo no IPad”. Segundo ele, as novas ferramentas não alteram em nada a legitimidade e credibilidade do jornalismo.


Guillermo Zuloaga, palestrante do XXIV Fórum da Liberdade

Já Guillermo Zuloaga, deixou clara sua intenção de alerta em relação à “ditadura” venezuelana. Ele é o presidente da Globovisión, única TV de oposição ao governo ainda existente no país. Falou sobre a “Lei Mordaça” no país, instituída desde 2004, criando multas e impostos como forma de regulação de conteúdo. Zuloaga relatou que as leis instituídas contrariam e violam em muitos momentos a constituição da Venezuela.

Para Guillermo,  Chávez quer a hegemonia comunicacional. “O governo de Chávez controla 7 estações de TV e 35 emissoras de rádio”, relatou. No país, segundo presidente da Globovisión, também já foram registrados 1627 casos de agressões a jornalistas e 300 mortes desses profissionais.

Doutor em direito, Guillermo Zuloaga também mostrou em sua palestra as diversas formas de centralização de poder do chefe de estado venezuelano. Falou sobre a lei de restrição ao uso da internet, e o poder do governo de intervir em cada palavra que os venezuelanos dizem nos meios virtuais. Zuloaga explicou que os censores, dependendo da notícia, podem considerar a “informação confidencial para o país”.

Os 20 minutos finais, que encerraram o painel, serviram para o debate dos palestrantes que responderam sobre as questões jornalísticas em relação à Venezuela. Os palestrantes expressaram seu desconforto com a “ditadura” de Chávez.  Guillermo Zuloaga encerrou o painel elogiou o espírito jornalístico dos repórteres experientes em saber lidar com o governo. “No dia a dia, dentro de uma redação, se cria um expertise para exercer o jornalismo.”

Última atualização em Qua, 03 de Setembro de 2014 11:53