Inicial Sala de Aula

25 -September -2018 - 12:29
A temporada de 2011 não foi das melhores para a dupla Gre-Nal PDF Imprimir E-mail
Escrito por Marcelo Farina   
Sex, 09 de Dezembro de 2011 16:36

Os dois clubes se atrapalharam dentro e fora de campo, o que acabou gerando um grande desperdício de tempo para ambos. O Internacional saiu no lucro conquistando uma vaga na Libertadores da América na última rodada do Campeonato Brasileiro depois de uma vitória, na base da superação, sobre seu maior rival.

Mas será que isso foi suficiente para um clube que possui uma das maiores folhas salariais do país? Com certeza não.

A torcida se acostumou a ganhar títulos internacionais, um atrás do outro e não se conforma em apenas comemorar uma vaga. É percebida uma indignação pelo fato de o Internacional, mesmo tendo sempre os melhores elencos, não ter conseguido ainda erguer uma taça do Campeonato Brasileiro de pontos corridos.

Este ano, o time foi fortemente abalado por problemas políticos. A candidatura de Giovanni Luigi foi marcada por um racha na gestão que comandou o clube nas maiores conquistas da história. A paralisação das obras do Beira-Rio tomou conta do noticiário e, de certo modo, afetou a imagem do clube.
Inter garantiu vaga para a Libertadores na última rodada
Dentro de campo, o início de temporada foi conturbado. O Internacional fez uma aposta equivocada no momento da escolha do eterno ídolo Falcão para o cargo de treinador. Os resultados foram de mal a pior e o Internacional foi eliminado vergonhosamente da Libertadores pelo Peñarol. Foi uma ducha de água fria para o torcedor que tanto acreditava no trabalho do Rei de Roma.

Além disso, ainda foram presenciadas discussões públicas entre o Presidente Giovanni Luigi e o então Vice de Futebol, Roberto Siegman, que repercutiram negativamente nas atuações da equipe.  As trapalhadas só terminaram no segundo turno do brasileirão com a chegada do bom técnico Dorival Junior.

Dorival barrou alguns veteranos, que eram titulares apenas no nome, como Indio e Bolivar. O jovem técnico conseguiu implantar um padrão de jogo competitivo, levando a equipe ao G5 do Brasileiro. Foi uma grande conquista, considerando as dificuldades que o clube enfrentou. Para 2012, é necessário rejuvenescer o elenco. Existem muitos titulares que não conseguem mais atender ao nível exigido pelo futebol profissional.
 
Do outro lado da avenida, os problemas do Grêmio são ainda mais graves.

E pior. São situações que não se originam apenas dessa temporada. O Grêmio não consegue há tempos fazer um planejamento equilibrado que lhe credencie a títulos. As contratações de treinadores e jogadores são erradas e não são feitas com uma política de continuidade em longo prazo.

Desde que assumiu novamente o cargo de presidente do Grêmio, Paulo Odone demonstrou falta de convicção total. Manteve Renato Portaluppi mesmo que este não fosse o técnico de sua preferência. Aproveitou-se de um mau início de semestre para dispensá-lo, o que resultou a fúria do torcedor.
Os insucessos forçaram a direção a fazer mudanças com o andamento do brasileiro. Julinho Camargo foi uma aposta que não deu certo e o Grêmio teve que partir para o seu terceiro técnico da temporada, Celso Roth.

A zona de rebaixamento era a realidade do momento e o Grêmio decidiu contratá-lo mesmo que direção e torcida não o considerassem um técnico ideal para garantir as conquistas que um time do tamanho do Grêmio busca.  Roth veio para apagar o incêndio e cumpriu eficientemente seu papel.

Só que passado o desespero, ele já não serve mais... E o Grêmio começa tudo do zero.
Grêmio terminou o Brasileirão em 12º lugar
Não é só na casamata que está o problema. As contratações e saídas de jogadores não têm sido bem administradas. O Grêmio investiu bastante em jogadores problemáticos que não deram resposta como Carlos Alberto e mais recentemente Miralles. Depois para dispensar, o custo se torna maior. Para 2012, já foi anunciado Kléber, outro jogador com histórico de indisciplinas.

Os contratos de alguns jogadores são mal elaborados e fazem com que o clube perca atletas importantes sem receber quase nada, como no caso da saída de Jonas para o Valência. Não foi a primeira vez que isso aconteceu. Um mico sem tamanho foi o caso Ronaldinho 2011. O Grêmio praticamente anunciou a contratação de seu ex-craque e prometia festas com grandes repercussões na mídia. Mesmo que o Grêmio tenha sido passado a perna e se livrado de uma bomba, a promessa de contratação não cumprida pela direção, repercutiu muito mal.

O que acontece é que nesses últimos anos, o clube tem dado prioridade à fatos alheios ao futebol e conquista de títulos. Se fala demais nessa nova Arena. Enquanto isso, o time fica abandonado.

O Grêmio precisa agir e investir com mais critérios. Se planejar melhor a cada temporada. É hora de parar de vender ilusões ao torcedor de se contentar apenas com as derrotas dos rivais. Num ano muito ruim como esse, viam-se dirigentes e torcedores comemorarem como se fosse título de copa do mundo, vitórias em genais e sobre o Flamengo de Ronaldinho.

O Grêmio é muito mais do que isso, mas parece que a direção esqueceu.
Claro que o Presidente Paulo Odone já fez muito pelo clube. Ele tirou o Grêmio do inferno no pior momento de sua história. Mas isso foi um começo. O torcedor quer e merece mais. Dez anos sem títulos de expressão é demais para um grande clube brasileiro.

Bom, vimos que os gaúchos foram apenas coadjuvantes nas principais disputas da temporada. Fica a expectativa que as duas grandes forças do nosso estado revejam seus erros e entrem 2012 preparados para mais uma guerra. E que dessa vez, nossas façanhas sirvam realmente de modelo a toda terra.

Última atualização em Seg, 25 de Agosto de 2014 17:20