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Juliano Brufatto: de rebelde a tranquilo PDF Imprimir E-mail
Escrito por Camile Fornasier   
Ter, 22 de Novembro de 2011 14:12

Juliano Brufatto é o filho mais velho de Helena Manfroi Brufatto e José Antônio Brufatto, irmão de Elaine – a irmã do meio -, Simone – a caçula -, e meu tio. Nasceu em 14 de março de 1961, em Garibaldi, na Serra Gaúcha.

Durante a infância e adolescência, sempre foi considerado o rebelde da família, porque vivia fazendo brincadeiras – algumas de mau gosto – com todos ao seu redor, principalmente com Elaine, pois tinha muito ciúmes dela por ter “tirado” seu lugar de bebê da família.

Seus pais tinham inúmeras histórias de suas travessuras para relatar, entretanto, nem todas tiveram um final feliz ou engraçado, ao contrário, causaram preocupação e/ou estresse à Dona Helena e Seu José.

Há alguns anos, sua mãe contou-me uma das “famosas histórias”, a do banho no tanque. Era um dia de inverno – bastante frio – e Juliano teve a ideia de convidar Elaine para tomar um banho no tanque –o  tanque era desses antigos, que eram enormes e de laje, tinha até sapo lá -, ela aceitou e encheram-no de água. Em seguida entraram e, literalmente, se congelaram por causa da baixa temperatura da água. Dona Helena percebeu que fazia tempo que os filhos não apareciam, procurou-os por toda a casa até encontrá-los, roxos de frio. Ela conta que fez de tudo para que a temperatura deles voltasse ao normal, tapou-os com várias cobertas, pôs bolsa de água quente, deu remédios, chá, etc. até que finalmente recuperaram sua cor normal. “Eu não sabia mais o que fazer com eles”, contou minha avó, aflita só de recordar-se.

Meu tio era muito corajoso. Uma vez, uns meninos do seu colégio o ameaçaram com um canivete, pois ele estava sempre buscando briga com todos. “Dessa tu não vais escapar, no final da aula tu vais ver”, lhe havia ameaçado um de seus inimigos. Sua irmã havia escutado a promessa do menino e correu para avisar seu pai, para que ele fosse buscá-lo depois da aula. Juliano, nada medroso, a partir desse dia começou a andar com um canivete na mochila, caso voltassem a incomodá-lo.

Quando criança, eu achava o máximo tais histórias e fazia meus avós repeti-las muitas vezes, pois achava muito irônico ele ter esse comportamento, sendo que aparentava ser uma pessoa muito tranquila, e “na dele”.

Outra história de que fiquei sabendo foi a que ele teve a ideia de colocar uma escada na janela, pois sua mãe queria que os filhos dormissem durante a tarde. “Ele sabia que teríamos que dormir e, antes de ir ao quarto, já deixava a escada preparada debaixo da janela”, ressaltou Elaine, que “fugia” junto. Porém, certo dia, Dona Helena descobriu o que Juliano e Elaine andavam fazendo, ela abriu a porta do quarto durante a suposta cesta e flagrou-os saindo pela janela, ficou brava, mas hoje acha divertido e dá risada ao lembrar-se.

Minha mãe costuma falar que ele era do tipo que nunca assumia que estava errado ou pedia desculpas, e na hora que ia apanhar de seu pai, o desafiava. “Vai, bate! Bate logo”, dizia a meu avô, deixando-o ainda mais irritado. Certo dia – quando ainda era comum se ter o banheiro fora de casa -, resolveu pegar as ferramentas de Seu José e desmanchar o banheiro, alegando que era feio e que as pessoas que passassem por ali iriam pensar que eles não tinham banheiro dentro de casa.

Atualmente, meu tio diverte-se muito ao relembrar suas travessuras, que, inclusive, o fizeram ir para o hospital – queria fazer uma funda, então pegou um calçado de couro que meu avô tinha e o desmanchou, porém a faca deslizou de sua mão e lhe causou um profundo corte na mão. Juliano fez um curso de datilografia, seu professor reclamava muito de seu comportamento, falta de atenção e palavreado. O professor, um dia, lhe falou que, se continuasse assim, não receberia o diploma. “Enfia o diploma na bunda”, falou ao professor. No fim do curso, seus pais fizeram-no perceber que seu comportamento não estava certo, ele se desculpou com o professor e levou uma garrafa de champanhe, porém até hoje não tem o diploma.

Minha mãe, vítima de suas travessuras, já recebeu socos, garfadas, saco de leite nas costas, facadas – algumas dessas coisas sem querer, a maioria não. Uma vez, Elaine e Simone estavam no meio de uma pequena plantação de milhos. “Olha a cobra”, Juliano gritou, assustando-as. Elaine saiu correndo, mas a pobre Simone tomou um susto tão grande, que ficou gritando no lugar, paralisada.

A importância do crescimento e amadurecimento é essencial, pois sempre chega a hora de “ser alguém” na vida e seguir o próprio rumo. Quando isso ocorre, ninguém mais é criança e tem de levar a vida a sério. E com Juliano não foi diferente, pois, apesar de todos esses ocorridos, com a boa educação que tinha em casa e alguns momentos difíceis por que teve que passar, meu tio mudou bastante. Cresceu, amadureceu e recentemente concluiu o ensino superior – a última conquista é um grande logro, porque quem normalmente fazia suas tarefas de casa era Elaine. Quem escuta suas histórias custa a acreditar que, algum dia, ele tenha sido tão rebelde.

Última atualização em Ter, 22 de Novembro de 2011 14:21