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22 -October -2018 - 21:44
A polêmica dos hinos nos estádios PDF Imprimir E-mail
Escrito por Renata de Medeiros (2º semestre)   
Qua, 19 de Outubro de 2011 17:15

A Câmara de Vereadores aprovou, no dia 17 de outubro, a lei que propõe a não obrigatoriedade da execução dos hinos antes das partidas de futebol em Porto Alegre. A proposta foi feita pelo vereador Alceu Brasinha (PTB). O assunto é polêmico não só nas cabines de imprensa, mas também nas arquibancadas.


Os jornalistas entrevistados, em maioria, concordam com a lei. "Não vejo necessidade em manter a obrigatoriedade da reprodução dos hinos. Se esta prática deixar de ser uma imposição, devolverá aquele dinamismo ao qual estamos acostumados, dos jogadores ingressando no campo e entusiasmando os torcedores sem um hiato. Afinal, toda a cerimônia esfria as manifestações da arquibancada", afirmou Eduardo Cecconi, redator do site globoesporte.com. Porém, o repórter destaca que, em partidas mais importantes, a formalidade é válida. "Será mais relevante se estas reproduções de hinos apenas adornarem grandes jogos, decisões, clássicos, podendo ser a própria cerimônia, pela excepcionalidade,um motivo de entusiasmo aos torcedores", concluiu.

A ideia de que o protocolo deve ser feito apenas em partidas decisivas é defendida também por outras personalidades da imprensa, como Nando Gross, Pedro Ernesto Denardin, Batista e Luciano Perico. "Hinos são para jogos internacionais, entre países diferentes, e só. Se  por acaso, numa final de Libertadores, tivermos duas equipes brasileiras, que se toque o hino brasileiro. Na final da Copa do Brasil, hino nacional, tudo bem. Regionais? Na escola, centros tradicionalistas, rodas de chimarrão e nos estádios espontaneamente. Jamais obrigatório", salientou Nando, comentarista e apresentador da Rádio Gaúcha. "Não pode um jogo de Gauchão ser obrigado a tocar hino nacional. Eu não concordo com isso", reiterou o narrador Pedro Ernesto.

Comentarista afirma que é contra a execução dos hinos em todas as partidas. Foto: Renata de Medeiros.

Para Batista, comentarista da Globo, a execução dos hinos em todos os jogos vulgariza o símbolo nacional. "Como estão fazendo agora, banaliza", esclareceu. Já Luciano Perico aponta o desrespeito por parte da imprensa e o aquecimento físico dos jogadores que é prejudicado. "O pessoal da imprensa acaba entrando no ar e falando durante a execução dos hinos. Então acho que numa decisão, numa partida de seleção brasileira é válido todo aquele cerimonial. Do contrário, fica um pouco demais. Muitas vezes os jogadores estão aquecendo, começa o hino e eles são obrigados a parar. Isso acaba atrapalhando até mesmo a preparação dos atletas pro jogo", explicou. 

Entretanto, Wianey Carlet e Haroldo Santos pensam diferente. "Pergunta simples, quase simplória: cantar faz mal? Resposta óbvia: não, não faz. Então, por que atender o desejo da intelectualidade alternativa se o povão gosta de cantar?", indagou. "Não existe diferença entre a intolerância ao Hino Rio-grandense ou contra as múltiplas minorias sociais. Uma vez intolerante, sempre intolerante", complementou o colunista da Zero Hora e comentarista da Rádio Gaúcha.

"Eu sou a favor dos hinos em todos os jogos porque é uma maneira de você valorizar uma propriedade nacional, que é o seu hino, independente se for nacional ou estadual", defendeu o narrador e apresentador Haroldo Santos.

O bairrismo

O hino riograndense é cantado com orgulho nos estádios gaúchos. Essa paixão bairrista, porém, para os entrevistados, não é positiva. "Patriotismo rima como fanatismo, que ao longo da história só o que soube fazer foi gerar guerras. Uma coisa é orgulhar-se de suas raízes, gostar dos mais próximos, mas julgar alguém pelo local de nascimento é preconceituoso", comentou Nando.

Torcidas exaltam Rio Grande do Sul. Foto: Renata de Medeiros.

"Eu sou contrário à exibição do hino estadual antes dos jogos. São partidas de uma competição nacional, federativa, e o hino estadual já provoca uma separação que me parece desnecessária. É só um detalhe, não tem todo o poder do mundo, mas gera bairrismo, que gera regionalismo, que gera sentimento de superioridade, que gera até preconceito", completou Alexandre Alliatti, redator do site globoesporte.com. 

Luis Gustavo Manhago, narrador do canal pago SporTV, também contesta o cântico estadual. "O hino riograndense, que é muito festejado aqui no Rio Grande do Sul, acaba tendo mais valor do que o hino nacional. Então sou totalmente contra", opinou.

A voz das arquibancadas

Os torcedores que opinaram foram quase unânimes: os hinos devem ser tocado nos estádios. "Eu acho que deve continuar, porque eu acho muito legal, emocionante. Como cidadão gaúcho e brasileiro, acho que tem que continuar os dois hinos", falou o gremista Claiton Nascimento,  funcionário público. "Temos que manter essa tradição", disse a bancária Andreia Padres, que também é tricolor.

O torcedor do Inter, Paulo Ricardo Alaniz, auditor, destaca que o regionalismo é forte no Estado."O hino nacional deve ser preservado, mantido. Mas, aqui no Rio Grande do Sul, a gente tem, além do hino nacional, a prática de cantar o hino rio grandense, que a gente canta com muito orgulho. Acho que temos que manter isso", comentou. Mas, às vezes o orgulho gaúcho causa desprezo ao país, que é visivelmente notado quando os cânticos são reproduzidos nos estádios. "Eu sou a favor, mas gostaria que tivessem respeito, que na hora do hino todo mundo respeitasse", criticou Régis Pereira, consultor técnico e também colorado. "Teria que ter uma colaboração de todos", concluiu. 

Torcedores opinam sobre os hinos antes das partidas. Fotos:Renata de Medeiros.

Porém, como é de costume, a rivalidade Gre-Nal não poderia deixar de estar presente nas opiniões dos torcedores. "Eu sou a favor só do hino do Brasil. Porque assim desconcentra o jogador, que vem quente do vestiário e tá pronto pro jogo. Tem que tocar só um hino e deu", afirmou o gremista Sandro Schenkel, gerente de vendas. Já o colorado Paulo Mendes de Abreu, defende o contrário. "Eu sou a favor do hino do rio grande do sul. Porque, pra mim, é o hino mais bonito do Brasil. Então o que é bonito tem que ser divulgado, né?", brincou o advogado.

Confira a reportagem do Portal de Jornalismo


Última atualização em Seg, 27 de Fevereiro de 2012 11:29