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Cultura em Palavras PDF Imprimir E-mail
Escrito por Joyce de Castro   
Seg, 10 de Outubro de 2011 18:25

Dona de um sorriso simpático e um jeito meigo, assim é a editora da área de cultura do segundo caderno da Zero Hora, Cláudia Laitano, que divide entre essa e outras funções a de colunista do jornal. E a faz muito bem: em suas crônicas, sempre encontramos um viés filosófico, uma citação histórica ou literária que lhe dá uma credibilidade a cada texto editado.

Formada em jornalismo pela UFRGS, Cláudia trabalha no jornal há quase 25 anos. Conta que entrou na Zero Hora através de uma seleção para exercer o cargo de revisora em 1985. Na época, fazia faculdade de psicologia também na UFRGS e acreditava ser a profissão que queria seguir, por ter uma grande apreciação pelas áreas humanas. Crescer no jornal após trabalhar como revisora não foi algo planejado. O cargo veio a calhar, pois seu horário de trabalho não atrapalhava sua vida acadêmica e sua facilidade em lidar com o português a ajudara na escolha. Passado algum tempo na redação, a jornalista começa a se identificar com o ambiente e decide largar a psicologia e prestar vestibular para jornalismo, escolha que lhe traria sucesso posteriormente.

Formada em 1992, passa a trabalhar na redação como repórter do Segundo Caderno, mas por pouco tempo. Depois, tornou-se editora do caderno de TV da Zero Hora, o "TV Show" e desde 2000 é editora da área de cultura, com a qual adora trabalhar e diz ser justamente esse seu assunto de grande interesse. Foi em 2004 que assumiu um espaço fixo como colunista do jornal e passou a ocupar a página 3 das edições de sábado.  Seus textos publicados na Zero Hora renderam o livro "Agora eu era", lançado em 2008 pela editora Record, que reúne 61 crônicas da jornalista escritas à partir de 2003.

Sem fazer projetos futuros, Cláudia parece se importar mais em viver o presente, e seus relatos sobre o passado comprovam essa sensação. Quando questionada sobre seus planos quando adolescente em relação à carreira, ela responde que o caminho que tomou não foi proposital: "Eu não pensava no jornalismo, sempre gostei muito de ler, e isso foi uma consequência da minha vontade por escrever", conta como acabou seguindo a profissão.

Mesmo antes, quando fazia psicologia, ela se deixava levar pelo "aqui e agora", cursava-a, pois gostava de humanas. Após ir trabalhar como revisora deixou-se levar pelo ambiente jornalístico e decidiu largar o curso que frequentava para dedicar-se ao seu novo amor, o jornalismo.

E os planos para o futuro, Cláudia? "Eu não faço muitos planos, a única coisa que tenho mais ou menos planejada é, em algum momento, tirar algum tipo de licença e passar um tempo fora do Brasil, que é uma coisa que fiz quando era mais jovem e tenho vontade de fazer de novo. E de resto, eu deixo as coisas acontecerem" diz. E qual o lugar que pretende visitar? Ela responde: “Paris”.

Cheia de grandes ideias, tanto para a vida pessoal, quanto para a profissional, a editora tem uma sugestão para o jornal: assim como há crônicas e notícias, o jornal deveria ter um pouco de filosofia, porque é um conteúdo que as pessoas têm necessidade de saber, até por deficiência de formação, então é do interesse delas, para se entender. Isso é comprovado pela grande venda de livros nessa área. Mas como é um conteúdo muito específico, Cláudia diz ser difícil de acrescentar ao jornal, pois não teria espaço.

E falando em jornal, conta-me que, para ela, o grande diferencial do jornalista está em quanto ele investe na sua formação cultural, intelectual. Diz que, para ser um bom profissional na área, não basta só o curso de jornalismo, é preciso investir em outras coisas que lhe acrescente na hora de fazer um texto, que lhe dê riqueza a cada linha. Não basta apenas apurar uma história e escrevê-la, é preciso diferenciá-la. Cláudia conta que, apesar de parecer absurdo, alguns jornalistas têm grandes problemas para lidar com a língua portuguesa. E isso não é exclusivo dos jovens profissionais de hoje, sempre ocorreu: "eles não estão escrevendo pior do que escreviam há 20, 30 anos atrás, mas continuam escrevendo mal. Por toda a deficiência da escola, mesmo os bons alunos chegam com deficiências de redação muito fortes. Isso, em princípio, deveria ser um caso raro, porque é como um engenheiro que chega na firma de engenharia e não sabe calcular",  ressalta.

Ainda falando sobre jornalismo, entramos na questão "jornalismo impresso" e como ele está sujeito a desaparecer pelo jornalismo digital. Cláudia tem uma opinião bem otimista quanto a isso, baseada através da grande ascensão da classe C, o que proporciona um maior espaço para o crescimento do jornal impresso, e dá o exemplo da própria Zero Hora, que não perdeu circulação e tem uma grande demanda de leitores.

Mas independente da plataforma em que se fará jornal, Cláudia acredita que o jornalismo não depende disso, ele depende de profissionais que selecionem informações de qualidade, que serão úteis para o leitor. E, além disso, sempre necessitará de grandes editoras que façam grandes apurações dos fatos, diferenciando-se da concorrência, não deixando, dessa forma, desaparecer a profissão. Sendo assim, a jornalista parece não se importar muito com o rumo que ele irá tomar: " não acho que isso vá ser uma coisa muito problemática; conforme o público for mudando, o jornal vai mudando também. Talvez daqui a 15 ou 20 anos ele seja realmente só no Tablet ou só na internet e o papel seja só para poucos assinantes, pode ser que isso aconteça. Mas não vai mexer com a essência da profissão."

E quem é Cláudia Laitano mesmo? "Eu sou uma pessoa muito curiosa para o que tenha a ver com a área cultural; gosto muito de ler e de escrever, basicamente isso. "Só esqueceu-se de acrescentar a modéstia às suas qualidades. Jornalista, cronista, editora, especializada em economia da cultura, Cláudia é uma mulher engraçada e inteligente, que consegue como ninguém transparecer essas qualidades em seus textos, proporcionando a todos uma leitura agradável. Com certeza, Cláudia também consegue passar seu interesse pela cultura em cada edição de suas crônicas e editorias. A ex-estudante de psicologia é movida pelo conhecimento, fez suas paixões virarem cultura e enriquecerem semanalmente seus leitores.

Última atualização em Ter, 18 de Outubro de 2011 15:48