Inicial Perfis

25 -September -2018 - 11:40
Um Jornalista Apaixonado PDF Imprimir E-mail
Escrito por Desirée Ferreira   
Seg, 10 de Outubro de 2011 17:13

Jornalista, apaixonado pela profissão. Um cara de estereótipo alto e magro demonstra em suas feições o amor pelo que faz.  David Coimbra, em plena sexta-feira, tinha traços cansados e entre seus dedos carregava um copo com um dos principais vícios de profissionais dessa área: café.

Apesar da possibilidade de falar apenas o necessário, David não poupou palavras nem simpatia ao me responder diversas perguntas. Como ele foi parar no mundo jornalístico? Essa era uma das dúvidas a que eu tinha necessidade de dar um fim, e ele logo admitiu: “sou jornalista para escrever e não escrevo para ser jornalista.” O amor pela escrita e pela  leitura o fizeram seguir em um caminho em que ele acreditava que suas paixões seriam postas em prática.

Atual diretor executivo de Esportes, colunista da Zero Hora, comentarista da TVCOM e participante do programa Pretinho Básico, David Coimbra também perpetua sua paixão através de vários livros já 'lançados e tem em si um orgulho por duas obras em especial: Canibais e Jogo de Damas, “eu gosto muito delas, das outras eu também gosto claro, é que essas aí me deram mais trabalho, entendeu?” explicou-se com o intuito de não desmerecer seus outros livros. 

Com tantas atividades a exercer, ele busca organizar seus dias através de um planejamento mental, pois, diante de tantas ocupações, é necessário que haja um tempo disponível para conseguir executar outras atividades de seu agrado, tais como nadar, ─ esporte que pratica diariamente ─, sair com os seus amigos, e o último, porém não menos importante: brincar com seu filho.

Bernardo, hoje com três anos, é visível orgulho de seu pai. Ele já foi homenageado em um livro de crônicas, Meu Guri, que conta as peripécias, em ordem cronológica, do pequeno. São os relatos provenientes da observação, reflexão e registro de um pai de primeira viagem deslumbrado e emocionado.  Além do mais, no último verão, David Coimbra escrevia diariamente no jornal Zero Hora sobre o litoral gaúcho, e raras eram as colunas que não tratavam das traquinagens do menino. Todavia não foram as crônicas que denunciaram seu amor por Bernardo, mas sim o brilho que invade os olhos do escritor ao citar o pequeno.

Ao finalizar a fala que abordava seu filho, aproveitei para tentar descobrir um pouco do David Coimbra adolescente, pois é nítido o espírito jovem que persiste em seu interior, então  descobri o que já era evidente: um guri não diferente de hoje, vivente do IAPI, que gostava de jogar futebol, namorar e se encontrar com os amigos, esses últimos que permanecem em seu convívio até hoje. Seu gosto musical alternava-se entre o Rock e MPB.

Não é à toa que Paulo Sant'Ana descreve David Coimbra, como o "sátiro peralta dos torsos e tornozelos femininos", pois sua vida e também o que escreve gira em torno de três coisas desde sempre: futebol, mulher e, o mais recente, seu filho.
Conforme os minutos iam se passando, o jornalista mostrou-se mais acomodado. No embalo do assunto, aproveitou para fazer uma brincadeira: “bonito teu gravador,” falou apontando para o meu mp4 rosa pink, para em seguida soltar uma risada me fazendo notar o deboche em sua voz. Eu ri a passo, visto que relembrei uma forte característica de David: a ironia.

Depois de algumas risadas, arrisquei voltar a falar de sua profissão, afinal não é em qualquer lugar que se encontra um profissional tão apaixonado. “É o centro da minha vida. Claro que a gente tem que ter equilíbrio. Tem que ter de tudo, tem que gostar, né, afinal a gente passa a maior parte do tempo trabalhando”, alegou.
David Coimbra, nos últimos anos ganhou uma outra ocupação, seu blog. Nele, diariamente, há postagens do jornalista e participações dos leitores que gostam de mandar músicas e textos para aparecerem no espaço. “Os leitores gostam de participar. Uma vez eu fiz até uma festa do blog,” Naturalmente, a frase saiu seguida de uma gargalhada. “Só para os leitores do blog. Foi muito legal, muito legal. É, até tô pensando em fazer uma outra aí. Foi no fim do ano e tal, todo mundo no bar. Fechei o bar só pra nós.” – David se divertia, demonstrando estar voltando a vivenciar o dia em que promoveu o evento, com direito até a lista de convidados.

Admitiu achar o blog uma ferramenta muito interessante por também dar oportunidade de as pessoas contestarem seus pensamentos, ainda mais por ele ter como característica essencial expor seu pensamento sem receios. Tal fato o faz ser odiado por muitos e amado por vários. “Bah, adoram me xingar,” confessou juntamente admitindo que antes até levava em conta, todavia afirmou que o tempo o fez aprender que não pode se deixar tocar por isso, pois “Não tem como tu escrever uma coisa que todo mundo vai adorar e ninguém criticar. Só se for alguma coisa que não tenha graça,” , comentou. “Eu me divirto mais do que me incomodo”.

Para o jornalista, a internet trouxe novas ferramentas e criticar tornou-se mais fácil, pois todo mundo tem essa possibilidade e usufrui dela, fazendo com que as pessoas queiram expor sua opinião mais ainda. Revelei termos feito a leitura de alguns comentários deixados a respeito de uma coluna publicada na Zero Hora. Como todo jornalista, curioso, foi a vez de ele questionar. “Quais textos vocês leram?”. Eu respirei fundo e, com convicção, respondi “o primeiro de linguística”. A frase causou um impacto inesperado. A reação do David foi fantástica, às gargalhadas ,ele respondeu: "Bah! Aquele lá, os estudantes de letras ficaram muito brabos. E depois disso eu ainda fiquei umas duas semanas em cima do assunto."

Parecia que ele havia se transportado para os comentários, pois não conseguia parar de rir, todavia após alguns minutos admitiu: “Essa discussão eu não acho ruim, acho boa. Claro que a agressividade é ruim, né, mas a discussão não é.” 

O silêncio invadiu o pequeno espaço de gravação da Zero Hora, e eu percebi que era hora de partir. Sem mais delongas, agradeci pela oportunidade e o parabenizei pelo esforço que depositava para responder aos e-mails recebidos. Com um abraço e um beijo na bochecha, me despedi, saindo com a sensação de missão cumprida e com a ideia de que o que antes eu já acreditava hoje se tornou uma certeza: não é a forma que escreve ou os prêmios acumulados que fazem de David Coimbra um jornalista exemplar, mas sim a simplicidade em cada gesto e a paixão que carrega ao falar com orgulho de sua profissão.

Última atualização em Ter, 18 de Outubro de 2011 15:55