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11/9 - The Falling Man PDF Imprimir E-mail
Escrito por Administrator   
Sex, 16 de Setembro de 2011 18:54

O homem em queda

“The Falling Man” (“O Homem em Queda”)

Depois do dia 11 de setembro de 2001, os ataques ao World Trade Center foram alvo de milhares de reportagens. No entanto, um certo aspecto passou despercebido. As pessoas que pularam das torres após o choque dos aviões não foram comentadas na maioria das mídias. Teria o tabu do suicídio silenciado a comunidade internacional?

O governo dos EUA, em declarações, não admitiu que alguém tenha saltado dos edifícios. Oficialmente, algumas pessoas foram expelidas pela força das explosões, o que caracterizaria estas mortes como homicídios, ao invés de suicídios. Porém, o assunto que incomodava os americanos ficou eternizado através das lentes do fotógrafo da Associated Press Richard Drew.

Na foto que ficou conhecida como “The Falling Man” (“O Homem em Queda”), o corpo sereno de uma pessoa caindo do prédio magnetizou o olhar dos jornalistas da AP. O retrato foi enviado para os meios de comunicação e um debate ético tomou conta das redações. Publicar ou não publicar? Aquele momento registrado por Drew mexia com feridas expostas da sociedade americana e poderia causar o repúdio do público.

Quem optou pela publicação alegou que algumas fotos –por mais impactantes que sejam– transmitem a realidade, contam a história. Afinal, certas imagens possuem o poder da síntese de um momento e acabam por eternizá-lo, como a Guerra do Vietnã e o retrato da menina correndo nua queimada pelo napalm. Segundo os jornalistas de algumas publicações que apostaram na foto do homem em queda, as reações dos leitores foram exaltadas e veementes em desaprovar a atitude de expor aquela pessoa.

Mas certos jornais foram além, um repórter do “The Globe and Mail” ficou encarregado de desvendar a identidade do homem. Inicialmente, Norberto Hernandez foi associado à foto, fato que abalou a família por suas crenças religiosas. Para os parentes de Norberto, se ele fosse o homem a pular da torre, seria certa sua ida ao inferno como suicida. Após a análise de toda a sequência de fotos, a hipótese de que seria ele foi descartada.

Outro funcionário do restaurante “Windows on the World” –que ocupava os últimos andares do edifício– foi identificado. O engenheiro de som de 43 anos, Jonathan Briley, responsável pela sonorização do restaurante, foi confirmado pela família e pelos colegas de trabalho como o homem em queda.

Dez anos depois, e a mídia volta a mexer com as feridas do 11 de setembro. As câmeras, que antes só focavam a expressão no rosto de quem assistia aos corpos em queda, agora contam as histórias dessas cerca de 200 pessoas que optaram por pular das Torres Gêmeas naquela manhã.

Por Tatiana Reckziegel

Última atualização em Sex, 16 de Setembro de 2011 19:06