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A trajetória de Núbia Silveira PDF Imprimir E-mail
Escrito por Caroline Pinheiro   
Sex, 26 de Agosto de 2011 17:37

Núbia Silveira“Não nota a bagunça no meu quarto. Quer sentar aqui?” Foi assim que Núbia Silveira, jornalista do Portal online Sul 21 me recebeu carinhosamente. Sentada diante de um computador – seu atual trabalho – a jornalista contou que o site, que originalmente tratava só de política, passou a abranger assuntos relacionados à cultura e agora fala até de futebol.

Núbia Silveira formou-se em Jornalismo na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em 1968, mesmo ano em que um regime de poder absoluto instalou-se no Brasil. O Ato Institucional nº 5 determinou parte da história brasileira e definiu o estilo de vida de vários trabalhadores do país. “Comigo nunca aconteceu nada, mas eu tenho um amigo que sempre apanhava dos militares, brinco até hoje com ele que eles o marcavam ‘Olha lá, aquele que nós vamos pegar’”, lembrou comentando sobre a época. Para ela, ser jornalista no período ditatorial era uma forma de estimular a criatividade; “Tínhamos sempre que arranjar formas de publicar uma notícia com caráter sigiloso, sem sermos barrados pela censura”.

Quando falávamos sobre minha decisão por jornalismo e as noites sem dormir por demandas do curso, reclamou, recostando-se levemente na cadeira: “Ah, eu também fazia muito disso, mas agora não dá mais, o corpo não aguenta”. Porém, para quem tem passagem em veículos e assessorias de comunicação como ela, não é para tanto sentir o corpo pedir repouso.

O cabelo preso para trás, o rosto limpo e expressivo não deixava dúvidas: ela não tinha papas na língua e muito menos o que esconder. Não que nossa conversa tenha sido reveladora, porém a dinamicidade e  a sinceridade foram marcas claras na fala da jornalista. Ela, que já trabalhou na Caldas Júnior, TVE, Grupo RBS, Jornal do Comércio e agora trabalha em jornalismo online, enfatizou o que acredita ser essencial para um profissional de conteúdo para a web: “O que precisa ter no online é credibilidade. Não adianta ler qualquer coisa e achar que é verdade. Tem que saber procurar no lugar certo. Eu, por exemplo, só procuro em sites oficiais. Se eu quero falar sobre o governo americano, vou no site da Casa Branca e assim por diante”.

Além de ter atuado na Agência Estado, em Brasília, trabalhou também em assessorias como a da Secretaria Estadual de Turismo, antiga Epatur, e no Palácio Piratini. Sobre seu trabalho na mídia impressa - com a maior naturalidade - surpreendeu-me ao dizer que ajudou a fundar o jornal O Sul, um dos jornais mais importantes do sul do país. Seu companheiro e amigo “Mola”, Nelson Matzenbacher Ferrão, em uma entrevista à Coletiva.Net ,comentou: “Quando cheguei só havia uma rotativa. Se não fosse pela Núbia, não conseguiria fazer aquilo funcionar em três meses”.

Núbia mora em um apartamento de três andares com a mãe e duas irmãs na Rua Jerônimo Coelho, esquina com Marechal Floriano no Centro de Porto Alegre. Os sobrinhos, de vez em quando, aparecem para comer a famosa Salada de Língua, receita da dona Naura, mãe de Núbia. Ao fim da entrevista, sentamos à frente da TV Núbia, sua mãe, suas irmãs, a cuidadora da sua mãe, e eu. Confesso que não deu vontade de ir embora, pois a sensação foi de conforto desde o meu primeiro passo dentro de parte do universo de Nubia Salette Marques Silveira.

Última atualização em Ter, 18 de Outubro de 2011 15:56