Inicial Open ESPM Léa Schimitt faz linha do tempo sobre história da moda

19 -July -2018 - 22:19
Léa Schimitt faz linha do tempo sobre história da moda PDF Imprimir E-mail
Escrito por Clarissa Müller (1ºsemestre)   
Sex, 30 de Maio de 2014 15:27

Uma volta no tempo. Assim foi o workshop “Processo criativo da moda e sua influência na sociedade”, da designer Léa Schimitt, que contextualizou a moda de cada década, desde a sua criação. O evento ocorreu no último dia do Open ESPM, 23 de maio, das 14h às 18h, na sala 14 do prédio C. 


De acordo com Léa, o conceito de moda surgiu durante a Revolução Industrial. Nessa época, começou a indústria têxtil, a primeira a comercializar seus produtos, que se espalhou pela Europa. Para entender a moda e as tendências de uma época, é necessário analisar seu contexto histórico. “Quando um estilista cria, ele está olhando a sociedade em volta, pois está tudo interligado”, acrescentou a designer.

Exemplo disso, é o estilista Rick Owens, que se inspirou em grupos de stepping dos EUA e mostrou mulheres dançando coreografias agressivas, remetendo sua coleção ao conflito. Já Alexander Mcqueen trouxe de volta um olhar para o futuro criando tendências e novos caminhos. Em seu desfile de verão de 1999, dois braços mecânicos pintaram um vestido branco. “As pessoas acham que hoje em dia, desfile é só mostrar as meninas, mas não é só isso, também tem seu lado artístico”, comentou Léa. Ela contou também que o precursor do marketing na moda foi Charles Frederick Worth, o primeiro costureiro que influenciou a Belle Époque, e o primeiro a usar mulheres em desfiles de roupas. Suas peças foram copiadas em todo o ocidente.     

Na linha do tempo, o estilista Paul Poiret se destacou na sua luta para libertar a mulher do espartilho e do sutiã, com vestidos soltos na virada do século XX. Ele foi considerado o primeiro designer moderno e o primeiro a colocar seu nome em perfumes, cosméticos e objetos de decoração. Na década seguinte, a estilista Coco Chanel, chamou a atenção também como uma libertinária. Vestiu as mulheres com roupas de corte reto, capas e blazers. Por isso, sua moda foi vista por muito tempo como pobre. Em 1926, criou o famoso “Pretinho Básico”, um vestido preto, sem gola, manda ¾, em crepe da China. 

Alunos participam do workshop sobre moda/Foto:William Moreira

Com o avanço dos direitos das mulheres, elas passaram a poder beber, fumar, dançar e dirigir. Paris, então, vivia a Belle Époque, os anos loucos.  A moda passou a ter o estereótipo magro, de cabelos curtos. Os vestidos também foram encurtados até a metade das canelas para mostrar os sapatos, antes esquecidos. Na década de 40, as influências da moda passaram a vir de Hollywood, com o cinema falado. Os cabelos começaram a crescer, as sobrancelhas ficaram finas e arqueadas. Surgiu então, a tendência ao saudável e o redescobrimento das curvas das mulheres, agora bronzeadas. O foco passou para as costas, para os óculos escuros, e para os sapatos plataforma. Mas a Segunda Grande Guerra mudou esse cenário. As formas ficaram militarizadas com a contratação de mulheres nas fábricas. Assim, a maquiagem era improvisada e os cabelos longos, com grampos, pela praticidade. 

Na metade do século, Dior chegou para destruir todo o trabalho de libertar as mulheres de Chanel, trazendo de volta a “mulher ideal”. Introduziu de novo o espartilho, com muito pano, e peças que insinuavam a fragilidade. A imagem agora era da mulher requintada e maquiadérrima. As saias eram godê, plissadas, pregueadas e franzidas. 

O surgimento da televisão também revolucionou o mundo da moda. Com ela vieram os ídolos teen, como Elvis Presley e James Dean, usados na publicidade da época, voltando à moda aos jovens. Surgiu a pílula anticoncepcional, os Hippies, a minissaia e as drogas. O umbigo ganhou destaque e chegaram os biquínis. E para contrastar, na década seguinte, os anos 70, a antimoda era palavra chave. Tudo era permitido, desde calças boca de sino, até a alta costura, desde que não tivesse um aspecto normal. O jeans virou o uniforme dos não conformistas. 

A partir de então, as mulheres e os jovens passaram a entrar cada vez mais agressivamente no mercado de trabalho, e no âmbito econômico. O fim da Guerra Fria trouxe transformações para a moda também. As extravagâncias beiravam o cafona, com cores críticas, estampas de animais, roupas de malha, maquiagem ultra colorida, ombreiras e lycras e peças usadas em academias. Era uma releitura dos anos 60, com uma dose de exagero. Os ternos e o visual workaholic começaram a se moldar, e os ternos ArmaniGianni Versace e Moschino se tornaram um símbolo de poder na época.

Finalmente, na última década do século XX, surgiram os celulares e a moda foi marcada pelas roupas com muita informação. Os casacos e os jeans eram coloridos. Logo após, vieram os moletons, as mochilinhas, os macacões, os bonés de aba reta e a camisa xadrez. A calça baggy também fez sucesso. O símbolo máximo de sofisticação da mulher nessa momento eram as tradicionais valises Vuitton.

Léa, antes de terminar o workshop, apresentou a nova Coleção Primavera Verão 2015 do novo estilista da Maison L. Vuitton, Nicolas Ghesquière, que mostrou uma coleção completamente moderna, comercial, contemporânea da mulher. “Ele revolucionou e superou as expectativas no mundo da moda”, segundo a palestrante. As tendências para o Verão 2015 são estampas largas, tomara que caia, maios cavados e sobreposições de peças. 

Última atualização em Dom, 01 de Junho de 2014 11:13