Inicial Open ESPM Bruno Quintella conta emoção de fazer documentário sobre Tim Lopes

19 -July -2018 - 22:19
Bruno Quintella conta emoção de fazer documentário sobre Tim Lopes PDF Imprimir E-mail
Escrito por Camila Oliveira (1º Semestre)   
Seg, 26 de Maio de 2014 17:16

"Se eu fosse fazer um filme sobre Tim Lopes, eu nem ia conseguir começar, então eu fiz um filme para o meu pai", foi assim que Bruno Quintella iniciou a palestra sobre jornalismo investigativo, Tim Lopes e o documentário “Histórias de Arcanjo”. O evento que ocorreu no dia 23 de maio, no auditório II da ESPM-Sul, encerrou o ciclo de palestras e workshops do Open ESPM. 


Para contar a história de seu pai, Bruno Quintella exibiu duas reportagens. Uma delas foi “A Feira das Drogas”, vencedora do Prêmio Esso de Jornalismo, na qual as principais lutas de Tim eram tirar a questão das drogas dos casos de polícia e levar para os casos de saúde pública, além de relatar a preocupação das mães de alunos que vivem naquele cenário. Segundo Quintella, Tim Lopes não queria fazer o papel de polícia, queria entrar em uma emissora, abrir feridas e mostrar o que tinha dentro. “A última ferida que ele abriu, foi a própria morte”, lamentou.

Os presentes também puderam assistir a reportagem que Tim Lopes fez no Cantagalo. Para Bruno Quintella, essa é uma matéria que é feita de dentro para fora, é o olhar dos moradores da favela, sobre eles mesmos. O convidado comentou ainda, que essa produção se difere se muito do “jornalismo careta e politicamente correto” que é exibido atualmente, já que não conta com offs ou passagens e mostra o outro lado dos moradores.  

Bruno Quintella contou que a polícia evitava intervir nos confrontos entre moradores das favelas / Foto: Clarissa Müller

Ao produzir o documentário “Histórias de Arcanjo”, Quintella teve que lidar com o luto e contar uma história de pai para filho. Queria fazer diferente, queria que o documentário tomasse um curso próprio e tivesse, às vezes, alguém falando. Lembrou também da dificuldade e do medo que enfrentou ao ir fazer filmagens na mesma favela que seu pai morreu. “Imaginem para mim o que é voltar numa favela sem unidade de pacificação, com uma câmera na mão. Na mesma favela que meu pai morreu com uma micro câmera”,comentou. 

Segundo o convidado, para fazer parte do jornalismo investigativo, é preciso ter uma curiosidade aguçada e é indispensável a preocupação com a própria segurança. “Muitos jornalistas tinham a impressão de que podiam ir em qualquer lugar, como se tivessem uma proteção só por serem jornalistas”, contou. E, para ele, no caso Tim Lopes, como o jornalista tinha se criado perto da Mangueira, todos achavam que ele era inatingível e, por isso, a segurança podia ficar de lado. “Os traficantes deram um tiro no pé, porque a repercussão foi muito grande”, ressaltou. 

Sobre as atuais coberturas em favelas, Quintella considera que o jornalismo popular está sendo confundido com populismo e que a melhor maneira de falar sobre e entender a favela, é entrando nela. Durante a elaboração do documentário, percebeu que embora o pai estivesse ambientado na favela e quisesse lutar pelos moradores de lá, ele também tinha medo de ir fazer as matérias. “Mas como filho, eu sempre achava que ele ia voltar” finalizou.


Última atualização em Sex, 15 de Agosto de 2014 15:30