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A insignificância da linguística para seus usuários PDF Imprimir E-mail
Escrito por Joyce De Castro   
Seg, 30 de Maio de 2011 15:43

Partindo do conceito de linguística, que consiste em estudar a linguagem verbal dentro do contexto social, os alunos da turma de jornalismo da ESPM-Sul foram às ruas entre os dias 05 a 11 de março para entrevistar diferentes pessoas com idades e classes socais diversas, a fim de saber o conhecimento deles a respeito dessa ciência, e como esta repercute em suas vidas.

Perguntamos se a seguinte frase estaria correta: " Nóis fomo ali e voltemo" e o que ouvimos foi:
- Depende, falando "tá" certo, mas pra escrever já fica errado.
(Maria Rodrigues, 48 anos, comerciante).

- Errada, pois "assassina" o português.
(Matheus Dutra, 17 anos, estudante).

-"Tá" errada, pois o certo seria nós fomos e voltamos.
(Alcir Konopka, 41 anos, motorista).

- Acho que "tá" errado, né? Porque no português tem que ser tudo certinho.
(Elizabeth dos Santos, 38 anos, doméstica).

A maioria dos entrevistados julgou a frase como sendo incorreta, pois sempre que se fala em português associam à gramática, e desprezam a linguística, mesmo, às vezes, tendo algum vago conhecimento sobre a ciência.

Tomando como base a entrevista que fizemos com Alcir Konopka, vemos isso se confirmar. Para Alcir, saber as regras gramaticais é fundamental, porque, só assim pode-se expressar com clareza, obter uma melhor comunicação com "o mundo", levando em conta que este exige muito em termos de relacionamento. Afirmando diferenciar uma linguagem coloquial da culta, ele falou sobre os diferentes tipos de linguagem existentes. "-Cada um tem seu jeito de falar, de acordo com os lugares onde vivem", comentou. E relacionado a isso, ressaltou as diferentes linguagens que um dialeto pode conter, dependendo da região, sotaques e gírias específicas. A partir de suas conclusões, entramos no assunto linguístico e perguntamos se ele sabia nos responder sobre o que se tratava. Alcir arriscou um palpite e disse:

“-Gramatica deve ser das palavras, a forma correta, e a linguística deve ser como se fala "por ai"”.

Mesmo sem conhecimento, Alcir acertou e ,depois que lhe foi devidamente explicado o conceito, concordou que a frase que perguntamos no começo da entrevista, antes tida como errada, estaria certa de acordo com os termos da linguística.
Ao contrário de Alcir, houve aqueles que nunca tinham ouvido falar na ciência, como conta Elizabeth:

“- Não sei. Pra mim, português era só uma coisa, nunca ouvi falar nisso”.

Já o estudante Matheus, citado anteriormente, mesmo conhecendo a linguística julgou a frase como errada quando lhe perguntamos a respeito dela no início da reportagem, porém, para ele, o entendimento das regras gramaticais não é fundamental para uma comunicação, e deu o exemplo da internet, que é um lugar onde as pessoas não escrevem corretamente e, mesmo assim, é uma forma de se comunicar. Sendo questionado sobre o seu entendimento da ciência e a forma como julgou a frase errada, ele responde:

“- Nem me lembrei da linguística, pensei logo nos erros de português", contou”.

Não só Matheus, mas outros que também apontaram a frase como "a forma incorreta" sabiam da existência da linguística e a entendiam.  Isso só mostra a irrelevância que as pessoas dão a essa ciência, e a atenção que elas dão à gramática como "o certo" absoluto; o que é contraditório ao fato de elas mesmas não falarem de forma culta no seu cotidiana, e sim fazer sempre uso da "impertinente" variação.

Última atualização em Seg, 25 de Agosto de 2014 17:03