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Vulgarização da Cultura PDF Imprimir E-mail
Escrito por Marcelo Farina   
Seg, 30 de Maio de 2011 15:28

Nesta última segunda-feira, 11 de abril, o músico e compositor Lobão ministrou uma palestra aos alunos da Escola Superior de Propaganda e Marketing, com o objetivo de esclarecer fatos específicos de sua vida pessoal e profissional, assim como transmitir aos estudantes sua visão cultural e crítica da sociedade contemporânea. O mesmo, ele faria horas mais tarde, no Fórum da Liberdade.

Como estudante de jornalismo do primeiro semestre, eu estava ali acompanhando o discurso, e honestamente me sentindo envergonhado do que ouvia, apesar de a grande maioria da plateia aplaudir e concordar com as teses esdrúxulas e contraditórias de Lobão. O palestrante elevava-se ao posto de "senhor da arte" no Brasil, criticando e desprezando qualquer obra artística que não fosse produzida por ele próprio, despejando palavrões e ofensas a outros músicos e compositores dos mais variados gêneros possíveis.

Sua principal crítica foi à geração dos anos 80, a mesma a que ele pertence. De acordo com sua visão egocêntrica, nenhum artista daquela década presta, são todos compositores convencionais e aprisionados às gravadoras. Ele agredia verbalmente bandas consagradas como Titãs, Paralamas do Sucesso, e músicos como Caetano Veloso e Maria Bethânia.

O que se entende por não convencional na visão do "mestre" Lobão é o uso constante de palavras de baixo calão e ataques ao trabalho dos colegas. Na minha opinião, isso não é anti-convencional, mas sim falta de educação e deselegância, o que só contribui negativamente para nossa formação cultural. Ainda mais considerando que o auditório era composto por um público jovem e a personalidade lá presente deveria passar uma imagem positiva e não ser exemplo para maus comportamentos e atitudes desregradas.

Lobão não se deteve apenas à década de 80, ele também disparou críticas e palavras chulas a músicos contemporâneos, como por exemplo, Luan Santana, entre muitos outros. Perguntado por uma aluna sobre que compositores ou músicos que admirava,ele citou apenas bandas desconhecidas do público em geral, e  sem sucesso, o que significa uma estratégia de promover seu nome em contraste com o de seus concorrentes atuais.

O que mais me preocupa, é que o sucesso de Lobão não se dá especialmente por seu talento ou competência, mas sim por esses desvios comportamentais, o que nos reflete a pobreza cultural da sociedade brasileira.

Última atualização em Seg, 25 de Agosto de 2014 16:30