Inicial WMA Estrangeiros são atrações nos primeiros dias do XX Mundial de Atletismo Master

19 -July -2018 - 06:27
Estrangeiros são atrações nos primeiros dias do XX Mundial de Atletismo Master PDF Imprimir E-mail
Escrito por Marcelo Farina (6º Semestre)   
Sex, 18 de Outubro de 2013 18:19

Mais do que disputar uma competição internacional e ganhar medalha, o lema dos participantes do XX Mundial de Atletismo Master, realizado em Porto Alegre, é descontrair e se divertir. Entre 16 e 27 de outubro, locais como Sogipa, Centro Esportivo da PUCRS, Centro Estadual de Treinamento Esportivo (CETE), Parque Marinha do Brasil e Escola Superior de Educação Física (ESEF) estão sendo coloridos com bandeiras de 82 nacionalidades diferentes, com os mais distintos sotaques.


Alguns atletas atravessaram o mundo apenas para participar das provas do Mundial. Mesmo estando em uma cultura diferente e sem conseguir entender o que as pessoas a sua volta conversavam, nada escondia o sorriso do japonês Tanaka Hiro, 82 anos, enquanto se preparava para correr, na última quarta-feira, 16 de outubro, nas pistas da Sogipa. "Mais por prazer do que por sacrifício. Esta é a minha única diversão. Sou aposentado e fui professor de escola de ensino fundamental, contou Tanaka Hiro, que não fala português.

Visitar o Brasil teve um gostinho especial para Tanaka, que mesmo tendo vindo ao país pela primeira vez, guarda muito carinho, devido aos mais de 100 anos de imigração japonesa em solo brasileiro. Descontração à parte, na hora das provas Tanaka quer competir para ganhar e busca repetir a marca de primeiro colocado nos 100 metros, que atingiu em outro mundial. "Me preparei por mais de três meses. Por isso quero manter meu recorde. Pelo número de participantes, as delegações de Estados Unidos, Alemanha e Japão são as mais fortes", explicou Tanaka.

Tanaka Hiro, 82 anos, disputa no atletismo a prova dos 100 metros/Foto: Marcelo Farina
Esta é a quinta participação de Tanaka em torneios deste porte. Neste mundial, ele compete na categoria acima de 80 anos. Além dele, outros 24 atletas japoneses encontram-se espalhados por Porto Alegre. Entre os idiomas estrangeiros mais falados nos corredores e arquibancadas da Sogipa, pode-se destacar o Espanhol. Graças a legião de sul-americanos que vieram competir e prestigiar o evento no Brasil.

O mexicano Maxiliano Moran é um dos recordistas de participações em mundiais entre os que estavam presentes e diferente da maioria dos que estavam ali, a vida dele foi toda dedicada ao esporte. Ele chega a fazer parte do comitê olímpico mexicano. Em sete Mundiais de Atletismo Master, já chegou a ser segundo e terceiro colocado na categoria Decathlon. Desta vez, pretende atingir uma meta ainda maior. "Só nós que participamos, sabemos o que é disputar uma competição como esta. Minha vida é o esporte e graças a isso tenho 82 anos", comentou o mexicano.

Mexicano Maxiliano Moran chegou a fazer parte do comitê olímpico mexicano/Foto: Marcelo Farina
O atletismo é apenas uma das atividades esportivas de Maxiliano, que joga também futebol e vôlei. Além do México, estavam presentes delegações argentinas, equatorianas, peruanas e de outras bandeiras latino-americana. O “portunhol” era o idioma mais falado pelos atletas, na tentativa de buscar informações com a organização do evento sobre os horários e ordem das provas. Se teve gente que atravessou o oceano para competir, também tiveram atletas que vieram de muito perto. Humberto Manolo Schaerer, 61 anos, é argentino e já conhecia o Brasil. Ele admite que decidiu participar das provas por prazer. "Não precisamos de uma competição, nem ganhar nada. Estamos aqui por hobbie. Mesmo assim, treinamos sempre porque gostamos deste esporte e queremos ter uma boa saúde e condição física", ressaltou.

A grande maioria dos atletas não possui patrocínio, por isso, são eles mesmos os responsáveis pelas despesas de estadia, alimentação e transporte. Isso justifica o fato de a maioria dos competidores dependerem de outra profissão para disputar um campeonato como este. A argentina Nora Beatriz Ponte, 59 anos, é vendedora de roupas e também veio ao Brasil pela paixão ao atletismo. Porém, ela não esconde uma meta: chegar entre os 10 primeiros de sua categoria. "Não temos apoio econômico. Nós temos que arcar com os gastos. Por isso, não podemos deixar de lado, nossa outra profissão. Mesmo assim, sempre que tenho tempo, estou treinando", afirmou Nora.
Argentina Nora Beatriz Ponte, 59 anos, veio ao Brasil mesmo sem apoio econômico/Foto: Marcelo Farina

Independente da idade, do sotaque ou da cor da bandeira, o importante é competir, fazer novos amigos e conhecer culturas diferentes. Os estrangeiros foram também atração para um grupo de estudantes que acompanhavam as provas na Sogipa. Quando precisavam de alguma informação que não tinham, atletas que não sabiam falar inglês nem espanhol ensaiavam gestos e na maioria das vezes esclareciam suas dúvidas, contando com a boa vontade dos anfitriões. Foi em um clima de muita diversão e mistura de diferentes culturas que teve início o XX Mundial de Atletismo, em Porto Alegre.


Última atualização em Qua, 03 de Setembro de 2014 10:49